Dayane Pimentel é denunciada no MPF por suposta ‘candidatura fantasma’ no PSL-BA

A deputada federal Dayane Pimentel, presidente PSL na Bahia, o marido Alberto Pimentel (PLS) e o comando do partido do presidente Jair Bolsonaro no estado foram denunciados no Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (14) pelo suposto lançamento de uma candidatura fantasma nas eleições de 2018.

A denúncia elaborada pelo vereador de Vitória da Conquista David Salomão (PRTB) acusa o comando do PSL-BA de lançar uma falsa candidatura de Luiza Caroline dos Santos Barbosa ao cargo de deputada federal como forma do partido alcançar os 30% da cota de gênero determinada pela Legislação Eleitoral no último pleito.

Residindo nos Estados Unidos, Luiza Caroline não teria passado pelo Brasil durante todo o período eleitoral e muito menos feito campanha. O último pleito estabeleceu um percentual mínimo de 30% de um determinado gênero nas coligações partidárias.

Capturas de tela anexadas na denúncia mostram que candidata estava no exterior durante campanha | Foto: Reprodução / Denúncia
Capturas de tela de uma rede social da candidata mostram que a postulante pediu votos para a concorrente Priscila Chammas, candidata do Novo à Câmara Federal. Luiza Caroline investiu um pouco mais de R$ 1 mil na própria campanha e conquistou 600 votos.

Candidata fez campanha para Priscila Chammas, concorrente a uma vaga na Câmara Federal | Foto: Reprodução / Denúncia
São citados na denúncia ainda o vice-presidente do PSL na Bahia, Antonio Olivio Vasconcelos, e o 1° secretário, Magno Felzemburgh. Autor da denúncia, David Salomão já entrou em rota de colisão do PSL-BA e a presidente estadual Dayane Pimentel outras vezes. A deputada federal move um processo por calúnia contra o vereador.

OUTRO LADO
O secretário geral do PSL no estado, Alberto Pimentel, chamou as denúncias de infundadas. O também secretário da gestão do prefeito ACM Neto (DEM) disse que o PSL teve apenas quatro candidatos, dois homens e duas mulheres, e, por essa razão, não precisaria de uma candidatura fantasma para atingir a cota eleitoral.

“Se tirássemos uma mulher, ainda assim a cota estaria dentro dos 30%, pois nossa candidata eleita foi a presidente do PSL na Bahia, a deputada Dayane Pimentel”, declarou Alberto. Leia trechos da resposta do partido:

“Durante a campanha, atacaram-nos, dizendo que havíamos cortado candidaturas femininas para Dayane ser a única candidata. Agora nos atacam covardemente dizendo que colocamos candidaturas falsas. São argumentos falaciosos e contraditórios. Para fazer sentido, a acusação teria que ser uma coisa ou outra, correto? Por fim, se a citada na matéria Luiza Caroline veio a ser candidata e viajou para os EUA depois que registrou candidatura, não avisando ao TRE e ao PSL, só posso dizer que as pessoas são livres. Ela investiu pouco mais de mil reais do próprio dinheiro e obteve cerca de 600 votos, o que pode ser verificado por qualquer cidadão em consulta ao site da Justiça Eleitoral”.

LARANJAL DO PSL                                                                                                               Para Alberto, denúncias como a apresentada ao MPF foram elaboradas para colar a imagem da sigla na Bahia com denúncias contra a sigla em outros estados.

A Polícia Federal em Minas Gerais revelou que tem indícios concretos de que candidatas laranjas a deputada estadual e federal vinculadas ao PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, falsearam a prestação de contas de campanha no estado.

“Quanto ao vereador David Salomão, de Vitória da Conquista, ele foi derrotado na coligação por Dayane e ficou na segunda suplência. Ele quer somente aparecer à custa de ataques infundados à deputada”, atacou Alberto Pimentel.

Citada na reportagem, a ex-candidata Priscila Chammas negou envolvimento com Luiza Caroline: “Fui candidata pelo Novo, não fizemos coligação com o PSL, nem com ninguém, e não tenho como controlar o que cada um dos meus eleitores e apoiadores faz”.

Chammas lembrou que a Luiza Caroline foi sua apoiadora em 2016, mas que não soube da sua candidatura durante as eleições de 2018. “Se, de fato, ela não se dedicou à própria candidatura, eu não saberia dizer o motivo e nem poderia fazer nada a respeito”, falou.

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